O diretor-geral de distribuição da Copel, Denis Mollica, apresentou, nesta quinta-feira (20), em fórum da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), realizado em Brasília, a experiência da companhia em eventos climáticos extremos, pontuando ações e estratégias da empresa, como parte do plano de contingência com foco no aumento de ocorrências associadas ao fenômeno El Niño.
“Estamos enfrentando uma situação inédita e temos que estar preparados para isso. Neste contexto, os movimentos regulatórios da Aneel e de todo o setor elétrico estão alinhados ao mesmo propósito, que é o de nos prepararmos. Em todo o ano passado, foram 24 eventos de Interrupção em Situação de Emergência (ISE), na área de concessão da Copel. Neste ano, nem chegamos ainda na situação projetada do Super El Niño e já estamos com 11 eventos de ISE registrados. Então, estamos aplicando e testando o nosso plano a todo momento. O plano de contingência da companhia está muito bem estruturado e sempre em modernização e revisão. É dividido em três fases: antes, durante e o depois dos eventos climáticos”, explica Mollica.
Organizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o encontro “Super El Niño e a resiliência do Setor Elétrico Brasileiro”, reuniu na Capital Federal especialistas e representantes do setor de todo o País para compartilhar experiências e debater os desafios relacionados aos efeitos do clima na geração, transmissão e distribuição de energia.

Estratégia da Copel
No encontro em Brasília, o executivo da Copel destacou as ações da companhia para fazer frente a eventos climáticos cada vez mais frequentes e com maior intensidade.
Denis Mollica participou do painel “Os planos de contingências das distribuidoras para convivência com o Super El Niño”, moderado pela diretora da Aneel, Agnes da Costa.
Moderadora do painel que reuniu as distribuidoras de energia, a diretora da Aneel ressaltou que a questão que envolve a resiliência de redes e eventos climáticos extremos de parte das concessionárias diz respeito à maior capacidade de preparação, de resposta e de recuperação.
“Os eventos extremos são uma realidade, então não podemos considerá-los imprevisíveis. As distribuidoras precisam desenvolver, de forma sistematizada, formas de antecipar riscos, estruturas protocolos de atuação e mobilizar recursos em situações críticas para acelerar a recomposição, porque os estragos vão acontecer”, ressalta Agnes da Costa. Também fizeram parte do debate representantes de outras concessionárias de energia, entre eles o diretor presidente da CEEE Equatorial, Riberto José Barbanera; o vice-presidente de Operações Reguladas da CPFL, Luís Henrique Ferreira Pinto; a assistente de Performance e Resultados da Celesc, Silvia Hafner Pozzobom, e o diretor de Operação da Âmbar Amazonas Energia, Marney Antunes.
De acordo com o diretor-geral de distribuição da Copel, a estratégia da companhia tem base sólida em investimentos permanentes na robustez da rede elétrica e em um plano que envolve a previsão climática com monitoramento em tempo real, a preparação, a prontidão operacional e a ação efetiva de recomposição da rede em todo o Paraná. São ações consolidadas a partir da experiência adquirida em episódios recentes e no histórico da companhia em intervenções de recomposição relacionadas a efeitos do clima.
“Quando você tem um plano de investimento robusto e adequado, pode dispor de mão de obra para atuar em ações de recomposição em momentos de eventos climáticos severos. Na Copel nós estamos falando de 540 equipes pesadas, além de mais de 900 equipes leves para atendimentos. Temos capacidade de mobilizar 7.500 técnicos e eletricistas nesses eventos. É uma força de trabalho relevante”, reforça Mollica.
Investimentos
Entre as medidas aplicadas pela companhia paranaense estão investimentos de R$ 2 bilhões, neste ano, em tecnologia e em obras de robustez da rede elétrica; o reforço operacional, com a criação da Escola Copel de Eletricistas e a contratação de novas equipes de primeiro atendimento; o fortalecimento da logística operacional, com a descentralização de centros de estoques de materiais e a intensificação no plano de podas e roçadas para prevenir desligamentos pelo contato da vegetação com a rede elétrica, fator que figura entre as maiores causas de interrupções e a realização de mutirões, em parceria com a defesa civil e prefeituras.
Nos últimos 12 meses, as equipes da Copel já realizaram mais de 860 mil podas e cortes de árvores e mais de 66 milhões de m² de roçadas (eliminação da vegetação próxima da rede em áreas rurais). Neste ano, foram organizados pela companhia mais de 730 mutirões de manejo de vegetação, muitos em parceria com o Poder Público e a Defesa Civil e assinados 81 Acordos de Cooperação Técnica com o Poder Público para o manejo de vegetação.
Infraestrutura robusta
A Copel tem ampliado, ano após ano, os investimentos na robustez da rede elétrica. Por meio do Paraná Trifásico, concluído recentemente, a companhia implantou 25 mil quilômetros de novas redes rurais com cabos protegidos e mais resistentes.
No reforço à rede de distribuição de energia em todo o Paraná, foram energizadas 19 novas subestações ampliadas outras 95 em todo o Estado, além da instalação de 503 km de Linhas de Alta Tensão. São estruturas que ancoram o sistema de distribuição e garantem o fornecimento de energia segura e eficiente a residências, comércios, indústrias e agroindústrias, no campo e nas cidades, ampliando alternativas de restabelecimento em situações de contingência.
Como parte dos investimentos da companhia, também foram instalados 3.900 km de novos circuitos alimentadores, que partem das subestações distribuindo energia a milhares de clientes e realizadas intervenções de recondutoramento, que consistem na substituição de redes antigas por novas.
Na rede automatizada da Copel, que permite agilidade no restabelecimento da energia, ganhou 2.460 novos religadores automáticos. São componentes que se somam a um universo de 25.700 equipamentos que integram o sistema de self-healing (auto-recomposição) que detecta, isola e corrige falhas na distribuição de energia de forma autônoma que atendem a 56% da base total de clientes da companhia na área de concessão. Completam esse conjunto, 2 milhões de medidores implantados em 157 municípios do Estado.
Lições aprendidas
O diretor-geral de distribuição da Copel destacou que a experiência das equipes da companhia na recomposição da rede elétrica após eventos extremos contribui para o aperfeiçoamento permanente dos planos de ação. Ele citou como exemplo as intervenções de reconstrução da rede elétrica em Rio Bonito do Iguaçu, cidade atingida, em novembro do ano passado, por um tornado categoria F4 (com ventos de mais de 400 km/h) e de Piraí do Sul que no último dia 8 teve a área rural fortemente afetada por um cliclone.
“Quando vivenciamos um momento de evento climático severo, a tecnologia, a mobilização, a integração com entes públicos é o que faz a diferença. Em novembro do ano passado, tivemos o exemplo de Rio Bonito do Iguaçu. Toda a cidade ficou desligada pelo efeito do evento climático. Três linhas de transmissão foram derrubadas, 10 torres de 138 mil volts danificadas, 400 postes quebrados”, recorda.
Denis Mollica ressaltou a relevância de Rio Bonito do Iguaçu já ser beneficiada por medidores inteligentes como fator preponderante no processo de restabelecimento da energia. Por conta disso, o Centro de Operação da Copel acompanhou todo o sensoriamento da cidade. Em 72 horas após o tornado, a equipe da Copel restabeleceu a rede de média tensão, espinha dorsal da distribuição de energia no município. Até a reconstrução completa da rede elétrica na área urbana da cidade, foram 96 horas de trabalho ininterrupto, em uma ação contínua das equipes de obras, manutenção e suporte da operação da Copel, envolvendo perto de 300 profissionais. No suporte à população local, a companhia também reconstruiu os postes das entradas de serviço da rede elétrica.
Em Piraí do Sul, município que teve a área rural afetada por fortes ventos no início deste mês, a Copel restabeleceu o sistema elétrico em 72 horas com o suporte de uma força-tarefa de 110 profissionais. Foram substituídos 45 postes, dez transformadores precisaram ser substituídos, cabos de energia e recuperadas cinco torres transmissão em alta tensão danificadas.
“Foram exemplos de ações de restabelecimento da energia pela equipe da Copel em parceria com forças locais. São referências importantes, por exemplo, para o controle da vegetação próxima da rede elétrica para prevenir desligamentos agravados em eventos climáticos. Em conjunto com a Aneel e representantes do poder público podemos definir um arcabouço regulatório que disponha sobre o porte das árvores adequadas para áreas urbanas e próximas das redes de energia. As distribuidoras podem atuar em conjunto para aperfeiçoar este ponto”, observa Mollica.
Compromisso coletivo
O encontro foi aberto pelo diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, que apontou a integração dos setores como o caminho para fazer frente a eventos inevitáveis. “Há desafios que testam a nossa capacidade técnica e outros que testam a nossa capacidade de liderança. Mas existem aqueles que colocam à prova a nossa capacidade de colaboração, como o caso do Super El Niño 2026”, afirma.
Segundo Feitosa, a interação da agência junto às distribuidoras de energia tem consolidado um processo de compromisso coletivo de ações de prevenção e mitigação de efeitos. “Desde 2023, experimentamos um conjunto de eventos extremos e temos buscado juntos às distribuidoras a execução de planos de contingência e melhorias nas previsões climáticas. Hoje, vemos que há o compromisso das distribuidoras em se integrar às comunidades nas quais que estão inseridas”.
“Não tenho dúvidas que o consumidor de energia saberá reconhecer o esforço das distribuidoras nos serviços de restabelecimento da energia ante a eventos climáticos extremos. Este workshop representa o compromisso coletivo com as condições energéticas do nosso país. A expressiva participação institucional no evento demonstra que o setor elétrico compreende o que vem pela frente. Grandes conquistas nasceram da cooperação, da confiança e da capacidade de reunir diferentes competências em torno de um objetivo comum”, reforça o diretor-geral da Aneel.
Previsão
Com previsão de ocorrência para o último trimestre deste ano, os efeitos do Super El Niño para a região Sul e o Paraná estão associados à frequência e a severidade de eventos climáticos extremos como tornados, ciclones e temporais que causam danos severos à estrutura física da rede elétrica.
Segundo o meteorologista Melquizedeq Duarte, da Coordenação de Monitoramento e Previsão Climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a intensidade do evento climático, considerando o aquecimento do oceano de 1,8ºC registrado neste mês de agosto, já superou os índices de eventos anteriores de magnitude forte e muito forte medidos em igual mês. “Isso demonstra tendência clara de termos um evento muito forte no último trimestre deste ano”, diz o meteorologista.
De acordo com Duarte, a agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration ou Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) responsável pela previsão das condições dos oceanos e da atmosfera, aponta que há a probabilidade de 69% de o Super El Niño ser o evento climático mais intenso desde 1950, com chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no Norte e Nordeste do País.


