Com a participação do Simepar, da Defesa Civil Estadual, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a Copel promoveu o Workshop de Eventos Extremos, que teve como objetivo a troca de conhecimento, alinhamento das estratégias e avaliação das ações preventivas voltadas à mitigação dos impactos que fenômenos climáticos severos podem causar na operação do sistema elétrico, na infraestrutura e no atendimento aos clientes. Os participantes debateram a possibilidade de ocorrência de eventos relacionados ao Super El Niño e os desafios causados pelas mudanças climáticas.
Foram 17 abordagens diferentes sobre prevenção, riscos e ações. Os interlocutores detalharam e argumentaram sobre propostas, projetos, planos, direcionamentos, resultados, exemplos e estudos de caso inerentes as causas e consequências que balizaram o Workshop.
Para o diretor-geral de Distribuição da Copel, Denis Mollica, o evento superou as expectativas e fortalece a cultura da prevenção da companhia. “O Workshop foi muito importante para discutir um tema prioritário para setor elétrico. Seguimos firmes no planejamento com ações de manutenção em dia. Limpeza de faixa, poda, preparação das equipes, estoque de materiais. Temos a fase de preparação a fase de enfrentamento. Por isso, nosso Centro de Operações está bem treinado e com as regras definidas de priorização e mobilização das equipes. Toda estratégia logística e operacional está estabelecida para, durante eventos climáticos, tomarmos as decisões de forma certa e segura, previamente estabelecidas em cada situação. Assim, no pós-evento, temos a curva de resiliência mais rápida possível”, detalha.
O diretor de Operação e Manutenção da Copel, Gustavo Theodor Carvalho, avalia que a organização, a junção de forças entre a companhia e os entes participantes do debate e a planificação das ações são fundamentais para evitar que o possível Super El Niño prejudique o sistema elétrico. “Um destaque é a questão da metodologia que as instituições têm, a preocupação em relação à evolução de eventos extremos no Paraná. Essa consciência de que a gente está num ambiente de mudança climática é fundamental para poder trabalhar em conjunto e se preparar para os danos que possam porventura acontecer. Assim, conseguimos construir, juntos, soluções que vão afetar diretamente a qualidade do fornecimento de energia para os nossos clientes. E o mais importante é que a Copel está pronta, mapeando todas as variáveis para, se precisar, estar pronta para agir”, ressalta.
Calor de Paranavaí em Curitiba?
Há dois meses, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência climática federal dos Estados Unidos, informou que o fenômeno climático El Niño está agindo em todo o planeta. O último evento registrado foi 2023 e 2024 e colaborou para a tragédia ambiental no Rio Grande do Sul, com recorde de enchentes. Devido a fatores e condicionantes, há uma grande possibilidade dele ganhar força e se tornar em um “Super El Niño”, para breve.
O professor da UFPR, Wilson Flávio Feltrim Roseghini, fez uma abordagem histórica e apresentou previsões para o período 2026/2027, explicou que a temperatura global vai subir e ressaltou que a preocupação também é a longo prazo. Segundo ele, metodologias e pesquisas de renomados institutos internacionais indicam que o aquecimento global somado a fenômenos climáticos severos pode ser catastrófico. “Ser uma sociedade preventiva é muito melhor do que ser uma sociedade remediativa. Se nada for feito para conter esses avanços, no ano de 2100, por exemplo, Curitiba pode ter um clima parecido com que acontece hoje em Paranavaí. Quem conhece Paranavaí sabe o calor que faz lá”, argumenta.
Além de mais calor, também haverá mais chuvas. O meteorologista do Simepar, Leonardo Zucuni Furlan, afirmou que essa perspectiva de evento climático severo pode ser danosa ao Paraná. “A expectativa é que tenhamos um grande acumulado de chuva, acima do esperado, em mais de 100%. Por exemplo, em Curitiba o acumulado de chuva previsto para outubro é 120 milímetros. Com o Super El Niño, pode passar de 200”, projeta.
Informação confiável faz a diferença
Para a superintendente de Sustentabilidade Copel, Luisa Nastari, o Workshop reforça o compromisso da companhia com a gestão de riscos, a inovação e a preparação proativa frente aos desafios climáticos, contribuindo para que as equipes estejam cada vez mais capacitadas para atuar de forma integrada e eficiente em situações de eventos extremos. “Eventos como El Niño podem durar nove meses ou até mais. Então a gente precisa estar preparado para que o nosso cliente fique bem atendido”.
O Capitão Julian Waldrigues, chefe do Núcleo de Atuação Regional da Defesa Civil Estadual para Curitiba e Região Metropolitana, afirmou que a preparação prévia traz segurança à população. Segundo ele, com essa planificação, mobilização e organização, as autoridades estão atentas e preparadas para agir, se houver necessidade.
Por isso, é importante que os paranaenses busquem orientações nos canais de comunicação oficiais dos integrantes dessa macro planificação. “Nesses canais há credibilidade na informação. Ela passou por câmaras de estudo, por workshops. A gente pede para as pessoas a se cadastrem no telefone 40199, da Defesa Civil, pois é o canal pelo qual repassamos informações meteorológicas e orientações como proceder em caso de temporais”, explicou o Capitão Waldrigues.
Fotos: JP Gomes e Leonardo Pruner

























