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Copel alinha ações de prevenção ao Super El Niño

A Copel reuniu, nesta terça-feira (28), em Curitiba, meteorologistas e profissionais das áreas de operação, infraestrutura e gerência de bases de campo em oficinas de alinhamento de ações de contingência com foco no Super El Niño.

Realizado na sede da empresa, o fórum antecede o Workshop de Eventos Extremos, a ser realizado no próximo dia 12, na Copel, e o seminário da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília, no dia 20, com o tema “Super El Niño e a Resiliência do Setor Elétrico Brasileiro”, que contará com palestras do diretor-geral da Copel Distribuição, Denis Mollica e do diretor de Operação e Manutenção, Gustavo Theodor Carvalho.

“Estamos discutindo as melhores práticas para nos preparar para uma sequência de eventos climáticos extremos projetados para o último quadrimestre deste ano. A antecipação de ações de equipes multidisciplinares da Copel e a coordenação operacional e logística são fundamentais para os trabalhos de restabelecimento da energia e demais serviços essenciais”, afirma o diretor de Operação e Manutenção.

“A Copel já convive com situações de eventos extremos na rotina da companhia. A relevância deste processo está em anteciparmos ações para a tomada de decisão. Temos tecnologias que nos ajudam a programar o deslocamento de recursos necessários às intervenções e estamos investindo na ampliação de equipes para atuar em todo o Paraná”, completa Gustavo Theodor.

Diretor de Operação e Manutenção da Copel, Gustavo Theodor Carvalho.

Coordenação

O diretor de Operação e Manutenção da Copel destaca que a operação coordenada faz a diferença em situações de urgência e emergência que envolvem eventos climáticos.

“O Super El Niño projeta uma frequência maior de eventos extremos. Podemos vir a ter, simultaneamente, ocorrências severas como a do tornado de Rio Bonito do Iguaçu, registrado em novembro passado. Buscamos eficiência, em coordenação com demais atores desse processo. Estamos olhando pessoas, material, tecnologia e sistemas para que possamos ter qualidade no restabelecimento de energia”, explica Theodor.

“Quando pensamos no restabelecimento da energia temos as primeiras ações são orientadas para os serviços essenciais de hospitais, saneamento, serviços públicos que garantem o funcionamento dos municípios. Mas para a Copel, o restabelecimento de todos os clientes é prioridade”, completa o diretor da Copel.

No restabelecimento da energia em Rio Bonito do Iguaçu, município atingido por um tornado categoria F5 em novembro de 2025, a Copel mobilizou cerca de 200 profissionais divididos em 40 equipes de trabalho. Em ação coordenada, foram substituídos 350 postes danificados pelo tornado na área urbana do município e reconstruídos 11 quilômetros de rede de energia em quatro dias de trabalho, um tempo recorde.

A Copel tem atuado fortemente na prevenção a desligamentos por eventos climáticos com ações de manutenção permanente e podas de árvores. O contato da vegetação com a rede elétrica responde por 40% das causas de interrupções de energia por fatores externos, uma condição que se agrava com a ocorrência de tempestades.

No primeiro semestre deste ano, foram inspecionadas 571 mil árvores em todo o Estado e realizados 257 mil serviços de poda, um volume 12% maior que o do mesmo período do ano passado. Para os serviços de reconstrução de rede, a companhia conta com 552 equipes pesadas em todo o Paraná que integram mais de 3 mil profissionais.

Evento integrou meteorologistas e profissionais das áreas de operação, infraestrutura e gerência de bases de campo em oficinas de alinhamento de ações de contingência com foco no Super El Niño. Foto JP Gomes/Copel

Previsões

No encontro desta terça-feira, foi apresentada uma palestra on-line de uma equipe da empresa Climatempo, que assessora a Copel com prognósticos semanais das condições climáticas. No suporte diário de acompanhamento do clima em tempo real com base de dados verificados por estações meteorológicas, a Copel conta com os serviços do Simepar, com a emissão de boletins em horas cheias com o panorama de todas as regiões paranaenses.

Segundo o coordenador da Climatempo, em São Paulo, Gustavo Verardo, o desenvolvimento do fenômeno El Niño na costa do Oceano Pacífico, entre o Peru e a Oceania, está sendo monitorado pela empresa. “A modelagem climática nos indica que os meses de setembro, outubro e novembro no Brasil possam ser influenciados por esse El Niño com intensidade muito forte”, observa.

“São esperados eventos mais intensos em todo o País. Enquanto nas regiões Centro-Oeste em direção ao Norte e ao Nordeste é esperada grande estiagem, de São Paulo em direção à região Sul os efeitos devem ser de chuva acumulada com possibilidade de enchentes nos três estados e a liberação de calor por tempestades acompanhadas de ventos fortes, com granizo e possibilidade de tornados”, completa.

Verardo diz que as condições severas do El Niño são potencializadas em condições de calor, que funciona como vetor de tempestades.  “É importante acompanhar os avisos emitidos para tomadas de decisão que minimizem os impactos dos eventos climáticos”, completa.

Efeitos do clima

Em apresentação remota, os meteorologistas da Climatempo, Lara Marques e Vinícius Lucyrio, destacaram as causas e efeitos do El Niño na região Sul do País.

Os especialistas calculam a intensidade do fenômeno climático com base no índice da temperatura da superfície do mar, neste caso pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A classificação varia de El Niño fraco, com escala de aquecimento do oceano variando entre 0,5 e 0,9 graus Celsius; El Niño Moderado (1,0 a 1,4 ºC); El Niño Forte (1,5 a 1,9 ºC) e El Niño Muito Forte (aquecimento maior ou igual a 2 ºC). O evento que se avizinha, apelidado de Super El Niño, é classificado cientificamente como El Niño Muito Forte, pela estimativa de aquecimento do oceano até 3,6ºC acima da média.

“Há a tendência de que esse fenômeno se torne muito forte, com possibilidade de figurar entre os grandes eventos históricos de El Niño”, diz Vinícius Lucyrio.

De acordo com o Índice Oceânico Niño, ou Oceanic Niño Index da agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration ou Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) responsável pela previsão das condições dos oceanos e da atmosfera os maiores eventos de El Niño registrados foram entre 1972 e 1973, com aquecimento de 2,1ºC; 1982 e 1983 (2,2ºC); 1997 e 1998 (2,4ºC); 2014 e 2016 (2,8ºC) e 2024 e 2024 (2,1ºC) .

Já para o mês de agosto, segundo Vinícius Lucyrio, é prevista temperatura acima da média no Paraná, em torno de 0,5ºC a 1ºC superiores à normalidade para a estação, e volumes de chuvas de 70 mm a 100 mm para a região Sudoeste. Em outubro, as chuvas devem ser mais expressivas, com volumes de 75 mm a 150 mm nas regiões Central, Norte e Noroeste do Estado. O meteorologista da Climatempo diz que o mês de novembro deve ser o mais crítico em relação a chuvas extremas, com volumes de até 200 mm acima da média no Sudoeste e de 150mm no Oeste e no Litoral. Em dezembro o padrão deve se repetir.

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