A experiência da Copel na adaptação da rede elétrica ao avanço da geração distribuída, dos sistemas de armazenamento e da mobilidade elétrica foi um dos destaques do I Seminário Nacional de Recursos Energéticos Distribuídos (SENRED 2026), realizado nesta quinta-feira (25), em Curitiba. Durante o evento, promovido pelo Conselho Internacional de Grandes Redes Elétricas (CIGRE-Brasil), o diretor Comercial da Copel, Julio Omori, apresentou projetos e iniciativas que vêm sendo desenvolvidas para garantir a segurança e a eficiência da operação diante das transformações em curso no setor elétrico.
Ao abordar o crescimento acelerado dos recursos energéticos distribuídos, Omori destacou que o principal desafio não está apenas na expansão dessas tecnologias, mas na capacidade de integrá-las à rede de forma coordenada.
“Os recursos energéticos distribuídos estão se multiplicando em intensidade e quantidade. E a gestão, o gerenciamento e o controle são fundamentais para organizar esses recursos. Em grande quantidade, mas sem controle, eles podem trazer efeitos colaterais para o sistema. O que transforma toda essa energia em estabilidade, segurança e qualidade é justamente o controle”, afirmou.
Segundo o diretor, o setor elétrico passa por uma mudança sem precedentes. A rede, tradicionalmente projetada para distribuir energia produzida em grandes usinas, agora precisa acomodar um número crescente de geradores conectados à rede, além de novas cargas, como os veículos elétricos.
Esse movimento já é percebido na área de concessão da Copel. De acordo com Omori, cerca de 50 mil consumidores utilizavam sistemas de compensação de energia em 2020. Atualmente, esse número se aproxima de 700 mil consumidores que utilizam a compensação de energia em suas contas, refletindo a rápida expansão da geração distribuída.
Digitalização
Para acompanhar essa transformação, a companhia tem investido em automação, digitalização e monitoramento em tempo real. Durante a apresentação, Omori mostrou projetos que envolvem microrredes, armazenamento em baterias, controle remoto de equipamentos e soluções voltadas à gestão da demanda.
Entre os exemplos citados está a implementação de microrredes capazes de operar de forma isolada em determinadas situações, utilizando geração local e sistemas de armazenamento. Os projetos servem como laboratório para o desenvolvimento de novas estratégias de operação e para a avaliação do papel das baterias na estabilidade do sistema.
O diretor também destacou o potencial do armazenamento de energia para absorver excedentes da geração solar durante o dia e disponibilizar essa energia nos períodos de maior consumo. Segundo ele, a tecnologia tende a ganhar importância à medida que cresce a participação das fontes renováveis na matriz elétrica.
Mobilidade elétrica
Outro tema abordado foi a eletrificação do transporte. Omori explicou que o carregamento simultâneo de veículos elétricos poderá gerar novos desafios para as distribuidoras, especialmente nos horários de maior demanda. Por isso, a Copel já realiza testes com sinalização tarifária e mecanismos de gerenciamento de carga capazes de estimular o consumo em períodos mais adequados para a operação da rede.
A apresentação também trouxe exemplos de sistemas de geração e armazenamento instalados em comunidades isoladas e em propriedades rurais, além de aplicações voltadas à melhoria da qualidade da energia e à redução de oscilações de tensão.
Ao encerrar sua participação, Omori ressaltou que o aproveitamento pleno dos recursos energéticos distribuídos dependerá da ampliação da capacidade de monitoramento e operação das redes. “O caminho passa por observação, comando e controle. Estamos construindo essa infraestrutura para que esses recursos tragam mais eficiência, mais qualidade e mais benefícios para os consumidores, sem comprometer a segurança do sistema”, concluiu.
SENRED 2026
O I SENRED 2026 discute desafios técnicos, regulatórios e de mercado relacionados a temas como geração distribuída, microrredes e veículos elétricos. Estiveram presentes especialistas de diversas empresas do setor, incluindo representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O evento acontece nos dias 25 e 26 de junho, no Auditório da Administração do Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.


