
O crescimento dos veículos elétricos no Paraná começa a impactar a rotina de residências, empresas e condomínios. Dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) indicam que o Estado já supera 27 mil veículos eletrificados. Em Curitiba, são mais de 12 mil unidades, colocando a capital entre as cidades com maior presença desse tipo de tecnologia no país.
Apesar de ainda representarem cerca de 0,3% da frota estadual, que ultrapassa 8,7 milhões de veículos, o avanço expressivo já demanda adaptações na infraestrutura elétrica da Copel. Esse movimento amplia a busca por pontos de recarga, principalmente em garagens residenciais e estacionamentos coletivos, e exige atenção aos critérios técnicos envolvidos na instalação. Em alguns casos, é preciso, inclusive, submeter o projeto à Copel para avaliação da demanda de energia exigida.
De acordo com o presidente em exercício do Crea-PR, Helder Nocko, o processo deve começar com a avaliação de um engenheiro eletricista habilitado. “A implantação de eletropostos para carregamento de veículos elétricos em condomínios residenciais ou áreas urbanas exige uma análise técnica prévia do perfil de utilização dos usuários e da capacidade disponível da rede elétrica local. Também devem ser avaliadas as condições da infraestrutura elétrica existente na unidade consumidora, incluindo necessidade de reforço da entrada de energia e quadros de distribuição”, explica.
“É fundamental definir a tecnologia de carregamento mais adequada, a potência dos equipamentos, os sistemas de gerenciamento de carga para evitar sobrecargas e os mecanismos de medição e faturamento individualizado do consumo. A solução ainda deve contemplar aterramento, proteção contra surtos e choques elétricos, monitoramento remoto, conectividade, sinalização e acessibilidade”, afirma Nocko.
Segundo ele, o projeto também precisa atender às normas técnicas e exigências de segurança aplicáveis. “Além da conformidade com as normas técnicas, é indispensável observar requisitos de segurança contra incêndio, aspectos operacionais, manutenção e viabilidade econômica do empreendimento. Ao final, o profissional responsável deve emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) junto ao CREA”, completa.
Análise prévia
A instalação de eletropostos ou de equipamentos de maior consumo deve ser informada previamente à concessionária. O procedimento permite avaliar a capacidade da rede e, se necessário, planejar adequações para manter a qualidade do fornecimento.
Segundo o gerente executivo da Copel, Thiago Puchta, carregadores, principalmente os de recarga rápida, exigem potência elevada e precisam de análise antes da ligação.
“Equipamentos desse tipo podem causar sobrecarga quando instalados sem planejamento. Por isso, a comunicação prévia é indispensável sempre que houver aumento de carga que demande alteração na entrada de serviço do cliente. A avaliação deve ser feita por profissional habilitado, e o projeto ou as adequações precisam seguir as Normas Técnicas da Copel, seja para apresentação formal à companhia ou para ajustes na proteção elétrica, como a adequação do disjuntor à nova carga”, explica.
Puchta reforça que a comunicação antecipada à Copel, em casos em que o profissional habilitado detecte a necessidade de aumento de carga, permite agir de forma preventiva. “Quando a concessionária é informada com antecedência, conseguimos avaliar a demanda e planejar as intervenções necessárias. Com isso, realizamos estudos técnicos e, se preciso, reforçamos a rede elétrica externa para garantir segurança e estabilidade no fornecimento”, afirma.
As intervenções podem incluir, além de obras de reforço da rede, ajustes no padrão de entrada e instalação de transformadores, garantindo atendimento adequado ao consumidor e à vizinhança.
Condomínios exigem avaliação conjunta
Nos condomínios, a atenção deve ser redobrada, já que a rede elétrica é compartilhada e a instalação de carregadores pode impactar todo o sistema do edifício. O engenheiro de Planejamento e Distribuição da Copel, Rodrigo Braun dos Santos, destaca que a análise precisa considerar todo o conjunto da edificação.
“A primeira avaliação, pelo profissional habilitado, deve levar em conta a capacidade total da instalação elétrica do condomínio, não apenas a demanda de uma única unidade. Também é necessário considerar o uso simultâneo dos carregadores e o comportamento de toda a carga ao longo do tempo”, afirma.
O engenheiro diz que a ausência de planejamento pode comprometer o desempenho da rede. “A análise prévia permite verificar se a infraestrutura elétrica possui capacidade para atender ao aumento de carga de forma segura. Sem esse estudo, podem ocorrer sobrecargas e restrições operacionais. O planejamento adequado garante que as demandas energéticas dos usuários sejam atendidas sem comprometer o desempenho das instalações”, ressalta.
As instalações devem seguir normas técnicas brasileiras, como a NBR 5410 e a NBR 17019, que estabelecem requisitos de segurança e desempenho para sistemas elétricos e de recarga.

