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Comissão de Diversidade aborda equidade e racismo no ambiente de trabalho

No próximo 20 de novembro é Dia da Consciência Negra, data dedicada à reflexão sobre a inserção de pessoas negras na sociedade brasileira. Por conta disso, a Comissão de Diversidade da Copel abordou o assunto em treinamento realizado nesta quinta-feira (18), com o tema “Diversidade e inclusão: o que racismo tem a ver com o seu trabalho?”. 

A abertura do encontro teve a participação da superintendente da Coordenação de Governança Corporativa e Sustentabilidade Empresarial da Copel, Luisa Nastari, que destacou o número expressivo de pessoas inscritas no treinamento, entre público interno, gestores e fornecedores – sinal de grande interesse pelo assunto.  

“A Copel é uma empresa muito comprometida com as questões de sustentabilidade, com a promoção da diversidade, por isso temos que estar sempre muito atentos às questões; treinamentos como esse são fundamentais para que a gente possa alcançar uma cultura corporativa de equidade, respeito, e que a gente possa ter cada vez mais um ambiente de trabalho saudável e agradável para todas as pessoas. Temos colegas participando aqui de várias áreas, vários municípios, gestores, fornecedores e parceiros, o que demonstra a abertura e o interesse de saber cada vez mais sobre o tema”, comentou Luisa. 

Faixa colorida com texto Diversidade Copel abaixo.

Conceitos 

A cientista social Ellen da Silva, que pesquisa estudos de gênero e raça na América Latina e fundou a Mahin Consultoria Antirracista, conduziu o evento. A especialista começou a conversa questionando “Por que precisamos falar sobre racismo no trabalho (e na vida)?”. 

Para desenvolver a ideia, apresentou conceitos básicos, como a ideia de que a definição de raça não está ligada à realidade biológica, e sim a um construto social – pertencimento a um grupo racial, a condições sociais em um contexto histórico e político específico. 

Ellen também explicou que as análises abordadas na palestra partem do conceito de racismo estrutural, tendo como base a ideias do professor e filósofo Silvio de Almeida. “Quando pensamos em racismo, podemos olhar como se fosse algo individual, em que podemos identificar uma pessoa ou um grupo de pessoas com atitudes racistas. Mas se é individual, como persiste?”, questiona a pesquisadora. 

Racismo estrutural 

Na perspectiva do racismo como fenômeno institucional, as instituições exercem e perpetuam poder sendo lideradas por grupos hegemônicos raciais – que na história ocidental dos últimos 500 anos foram os grupos raciais brancos. “As instituições podem ser uma empresa, o legislativo, mas também nossa igreja, nossa família, ou seja, organizações e espaços em que a gente socializa. Mas então, se são as instituições que ensinam as pessoas a serem racistas, quem ensinou essas instituições a serem racistas?”, indagou Ellen. 

Ao conectar pessoas e instituições, o foco se torna a relação de que as instituições são racistas pois representam a regra da vida em sociedade. De acordo com a pesquisadora, desta forma o racismo estrutural, construído ao longo de séculos, se expressa em todos os espaços da vida social, com força especial na economia, na política e no direito. 

“Esse é o primeiro argumento para responder à pergunta do porquê devemos falar de racismo no trabalho e na vida, pois ele é estrutural, ou seja, acontece em todos os lugares”, explicou Ellen. 

Dados 

A pesquisadora apresentou números da desigualdade racial no Brasil em relação a educação, trabalho, saúde, segurança e política, com destaque para os desafios enfrentados majoritariamente por mulheres negras. Ellen também mencionou as manifestações subjetivas do racismo na língua portuguesa, por meio de expressões que expressam estereótipos da escravidão. 

O treinamento ainda abordou fatos históricos que contrariam desinformações sobre racismo e escravidão no Brasil, acontecimentos marcantes da história do Paraná protagonizados por pessoas negras e indicações de como a população não-negra pode agir diante do racismo no país.  

Cerca de 300 pessoas participaram do evento, que foi encerrado com mensagem da diretora de Gestão Empresarial da Copel, Ana Letícia Feller. “Parabenizamos todos e todas que participaram dessa fala, pois desta forma a gente consegue criar uma rede que vai capilarizar esse conhecimento, o que traz ganhos para a Copel e para a sociedade. A Ellen foi muito pertinente ao mostrar que o racismo está em todos os lugares e que tratar desse tema faz parte do compromisso de todos. Agradeço especialmente aos gestores aqui presentes, que deram exemplo e mostraram comprometimento com a diversidade”, afirmou Ana Letícia. 

Palestrante 

Ellen da Silva é uma das fundadoras da Mahin Consultoria Antirracista. É graduada em Ciências Sociais pela UFPR e mestra pela UNB, tem como foco estudos de gênero e raça na América Latina. Foi assessora na Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão e em 2016 venceu o concurso “Many Languages, One World“, cujo prêmio foi discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas. Desde 2017, é membro fundadora do “Vetor Dxs Pretxs”, um coletivo que visa pautar a discussão racial na gestão pública, no qual contribui formulando e ministrando formações sobre Equidade Racial tanto para os trainees de gestão pública do Vetor Brasil quanto para outros órgãos, como o Ministério do Desenvolvimento Social – MDS. 

Diversidade Copel 

O evento “Diversidade e inclusão: o que racismo tem a ver com o seu trabalho?” é uma realização da Comissão de Diversidade da Copel, que tem como objetivo fomentar a equidade e o cumprimento dos direitos humanos na empresa, com atenção a grupos vulneráveis e sujeitos à discriminação, especialmente aquela baseada em gênero, raça, cor, deficiência e orientação sexual. 

Para mais informações, acompanhe o Portal da Sustentabilidade Copel.

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