1.1 Mensagem do Presidente



 

Este é o Relatório Anual de Gestão da Companhia Paranaense de Energia - Copel relativo ao exercício de 2006, elaborado com base na terceira geração das diretrizes do Global Reporting Initiative - GRI/G3.

Nele estão as iniciativas de um ano que foi marcado pela consolidação de compromissos assumidos pela Companhia perante a coletividade, no âmbito da responsabilidade e da governança corporativa, buscando sempre se pautar pelos preceitos éticos na gestão de seus negócios.

A visão de futuro da Companhia é ser a melhor empresa nos setores em que atua e referência em governança corporativa e sustentabilidade empresarial. Para atingir essa visão, no curto prazo, as estratégias do negócio foram divididas em etapas, denominadas de ondas. Na primeira onda, cujo início deu-se em 2003, foram resolvidas as questões centrais para a sobrevivência da Companhia — saúde financeira, contratos e restabelecimento do quadro de pessoal.

Agora vivemos a segunda onda, da excelência operacional, que busca aumentar a rentabilidade corporativa com melhoria da produtividade dos processos operacionais e de apoio, e otimização dos custos correspondentes.

Iniciamos, paralelamente, as ações para viabilizar a execução da terceira onda, que visa aumentar as receitas dos negócios, também voltadas para a rentabilidade corporativa. As perspectivas de crescimento permanecem alentadoras e tiveram, no exercício que passou, importantes fatores de impulsão, tais como a aquisição do controle acionário da UEGA, proprietária da Usina Termelétrica a Gás de Araucária; a conclusão do aproveitamento do Complexo Energético do Rio Jordão, com a entrada em funcionamento da Usina Hidrelétrica Fundão e da pequena central hidrelétrica associada; e a obtenção da concessão para construir e operar a Usina Hidrelétrica Mauá, no rio Tibagi, em parceria com a Eletrosul. Esses esforços, contudo, deverão ser oportunamente complementados e devidamente coordenados para atender às demandas de crescimento do Estado e do País, e, também, ao Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, do Governo Federal.

Essas ondas são balizadas pela responsabilidade social corporativa, que tudo permeia e visa ao desenvolvimento socioambiental, contribuindo para uma sociedade justa, inclusiva e com qualidade ambiental.

No médio prazo, a Companhia, que já conta com matriz energética de fonte majoritariamente renovável, decidiu empreender esforços e recursos no sentido de diversificá-la, tornando-a ainda mais sustentável, com base nos recentemente divulgados resultados dos estudos do Painel Intergovernamental para Mudança Climática - IPCC, segundo os quais a demanda mundial de energia poderá ser reduzida, em 2050, em até 47%, prevendo-se forte ênfase em medidas de eficiência energética. Segundo esse estudo, até lá, cerca de 70% da eletricidade global será produzida a partir de fontes renováveis.

No contexto da sustentabilidade empresarial, a Copel vem se consolidando como referência não só no setor elétrico nacional, mas em espectro mais amplo. Um dos exemplos é o fato de que as ações da Copel permanecem entre as que compõe, durante 2007, o Índice de Sustentabilidade Empresarial - ISE da Bolsa de Valores de São Paulo, desenvolvido em parceria com o International Finance Corporation - IFC.

Em 2006 nossa Companhia teve o privilégio de sediar, com a colaboração da Itaipu Binacional, o terceiro encontro do grupo de trabalho encarregado de elaborar o suplemento setorial de energia elétrica da GRI, suplemento no qual, aliás, a Copel tem o importante posto de representar todas as suas congêneres da América Latina.

Especialmente comprometida com os princípios e as práticas da sustentabilidade, a Companhia é signatária do Pacto Global da ONU, iniciativa que reúne quase três mil empresas em todo o mundo, e figura entre seus principais agentes mundiais, atuando com destaque em todas as atividades.

Nosso compromisso com os dez princípios constantes do Pacto Global é permanentemente reafirmado e revalidado por nossas práticas, que buscam proteger e garantir a dignidade do trabalho, a transparência na gestão, a lisura nas questões financeiras e a proteção ao meio ambiente.

Merecem destaque, da mesma forma, as medidas de adequação de nossos processos e controles internos aos requisitos da Lei Sarbanes-Oxley, que vêm ao encontro de nossas ações para consolidar ainda melhores práticas da governança corporativa. Entre elas estão a Política de Divulgação de Atos e Fatos Relevantes, a difusão dos Valores Corporativos, a atuação do Comitê de Auditoria e o Canal de Comunicação Confidencial, sendo este último um mecanismo de absoluta confiabilidade e sigilo, que acolhe denúncias formuladas por partes interessadas, encaminha-as e aprofunda sua investigação, apontando eventuais desvios ou inobservância de preceitos de ética, probidade e zelo por agentes a serviço da corporação ou a ela vinculados.

No longo prazo, são claros para a Copel os imensos desafios que deverá enfrentar na busca da sustentabilidade, não só a sua, mas principalmente a das comunidades em que se insere. O Paraná encontra-se em situação privilegiada quanto à produção de energia a partir da biomassa, cuja cadeia produtiva tem grande impacto na geração de emprego e renda e na territorialização da atividade econômica, motivo pelo qual esta fonte representa alternativa sustentável para diversas comunidades, hoje parcial ou totalmente excluídas do processo produtivo. A Copel pretende ter papel de relevância no aproveitamento dessa potencialidade.

Os próximos anos, portanto, serão marcados pelo esforço estratégico de se transformar, além de em fomentadora do desenvolvimento sustentável do Estado, através da oferta de energia com eficiência e preço justo, em inspiradora e mobilizadora da comunidade empresarial, voltada à promoção coordenada da sustentabilidade.

É oportuno ainda salientar que, conforme poderá ser constatado nas próximas páginas, o lucro líquido recorde apurado no exercício de 2006 de R$ 1.242,7 milhões — resultado do esforço conjunto de conselheiros, diretores, gerentes e empregados para a consecução do principal objetivo da Organização: induzir o desenvolvimento sustentável do Paraná, mantendo sua representatividade no cenário energético nacional, gerando resultados para seus acionistas e atuando com responsabilidade e respeito a consumidores, investidores e demais partes interessadas.

Feitas as observações preliminares, muito apreciaremos contar com sua leitura ao presente Relatório, que contém o detalhamento necessário sobre o desempenho econômico-financeiro, ambiental e social da Copel em 2006.


Curitiba, 27 de Março de 2007.

Rubens Ghilardi
Diretor Presidente

 
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